{"id":22089,"date":"2026-10-15T21:17:46","date_gmt":"2026-10-16T00:17:46","guid":{"rendered":"https:\/\/opa.ufrn.br\/?p=22089"},"modified":"2026-10-15T21:24:05","modified_gmt":"2026-10-16T00:24:05","slug":"fabular-o-mundo-processos-de-criacao-da-animacao-infantil-as-aventuras-de-lucarino-em-diogo-lopes-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/opa.ufrn.br\/index.php\/fabular-o-mundo-processos-de-criacao-da-animacao-infantil-as-aventuras-de-lucarino-em-diogo-lopes-rn\/","title":{"rendered":"FABULAR O MUNDO: PROCESSOS DE CRIA\u00c7\u00c3O DA ANIMA\u00c7\u00c3O INFANTIL AS AVENTURAS DE LUCARINO, EM DIOGO LOPES\/RN"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"943\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1-1024x943.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-22091\" style=\"aspect-ratio:1.0859070434484013;width:330px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1-1024x943.png 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1-300x276.png 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1-768x707.png 768w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1.png 1173w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imagem come\u00e7a onde a imagina\u00e7\u00e3o encontra uma maneira de ganhar forma. Imaginar \u00e9 abrir espa\u00e7o para aquilo que ainda n\u00e3o existe, projetando exist\u00eancias, experi\u00eancias, espa\u00e7os, possibilidades, encontrando maneiras pr\u00f3prias de narrar o mundo. Na anima\u00e7\u00e3o em stop-motion, esse espa\u00e7o se revela entre uma fotografia e outra. A partir da produ\u00e7\u00e3o manual e do deslocamento quadro a quadro, objetos, personagens e cen\u00e1rios podem ser continuamente transformados, fazendo da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o. Um objeto \u00e9 colocado. A c\u00e2mera registra. Move-se o objeto minuciosamente. Registra-se novamente. E, assim, nesses pequenos intervalos de tempo, o que era inanimado ganha movimento, e aquilo que existia apenas na imagina\u00e7\u00e3o encontra uma forma de contar sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse movimento entre imaginar, experimentar e criar que se desenvolveu a segunda edi\u00e7\u00e3o da oficina do projeto \u201cReserva em Foco: conectando saberes\u201d, realizada nos dias 3 e 4 de julho, na Escola Municipal em Tempo Integral Jos\u00e9 Ribeiro da Costa (EMTIJRC), localizada no distrito de Diogo Lopes, em Macau\/RN, com as crian\u00e7as do 5\u00b0 ano do fundamental. A experi\u00eancia retomou o percurso iniciado na primeira edi\u00e7\u00e3o, quando os estudantes foram convidados a olhar para o pr\u00f3prio territ\u00f3rio a partir da fotografia, e, nesta nova etapa, prop\u00f4s que experimentassem, por meio da anima\u00e7\u00e3o em stop-motion, outras possibilidades de olhar e narrar suas hist\u00f3rias locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HIST\u00d3RIAS QUE J\u00c1 ESTAVAM AQUI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O distrito de Diogo Lopes \u00e9 formado, em sua grande maioria, por fam\u00edlias de pescadores. Os relatos e hist\u00f3rias fant\u00e1sticas sobrevivem na oralidade e s\u00e3o passadas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, como a dos Botos da Costa, grupo de pescadores que sa\u00eda para dan\u00e7ar na cidade e retornava \u00e0s embarca\u00e7\u00f5es exatamente \u00e0 meia-noite; Taioca, o homem que pescava voador com um jacar\u00e9 em cada m\u00e3o; seu Lu\u00eds Gaspar e o misterioso objeto luminoso. S\u00e3o muitas as hist\u00f3rias que habitam a comunidade, misturando o cotidiano e a imagina\u00e7\u00e3o. Entre elas, a hist\u00f3ria do Barco Lucarino reserva um lugar especial na mem\u00f3ria da comunidade. Em \u00e1guas passadas, sua hist\u00f3ria navegou at\u00e9 os oficineiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Constru\u00eddo ainda no s\u00e9culo passado, o barco atravessou diferentes lugares, carregou outros nomes e acumulou hist\u00f3rias pelo caminho, at\u00e9 encontrar seu porto em Diogo Lopes. Foi ali que o pescador Lu\u00eds Gaspar o preservou e lhe deu um novo nome, Lucarino, em homenagem \u00e0 filha, Lucarina. O barco virou refer\u00eancia nas regatas &#8211; corridas de barcos \u00e0 vela &#8211; e trouxe muitos pr\u00eamios para a cidade. At\u00e9 que, em uma de suas navega\u00e7\u00f5es, o barco naufragou e desapareceu em meio ao mar. Anos depois, em 2013, alguns pescadores perceberam algo diferente em determinada regi\u00e3o: onde antes quase n\u00e3o havia peixes, havia agora uma grande quantidade deles. Entre o espanto e a mem\u00f3ria, algu\u00e9m logo encontrou uma explica\u00e7\u00e3o que parecia pertencer \u00e0 pr\u00f3pria hist\u00f3ria do barco \u201cIsso \u00e9 o Lucarino que est\u00e1 a\u00ed\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chamaram seu Lu\u00eds Gaspar. Era preciso descobrir se, de fato, era o seu barco que permanecia escondido sob aquelas \u00e1guas. Ele mobilizou alguns ajudantes e, juntos, trouxeram um mergulhador para procurar pelo Lucarino. Mas o mar estava turvo. L\u00e1 embaixo, quase nada podia ser visto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, o mergulhador desceu. Procurou entre a \u00e1gua escura at\u00e9 encontrar e puxar um peda\u00e7o de pano. Era parte da vela do Lucarino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A not\u00edcia trouxe a alegria de volta \u00e0 superf\u00edcie. Seu Lu\u00eds Gaspar festejou. No dia seguinte, reuniu novamente os pescadores e outros barcos. Levaram tambores para o mar e, com eles, fizeram o Lucarino flutuar outra vez, trazendo-o de volta para cima das \u00e1guas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O barco havia sobrevivido ao tempo e ao mar. Estava ali, inteiro, como se tivesse apenas adormecido no fundo. Quando retornaram com o Lucarino para Diogo Lopes, a cidade inteira festejou sua volta. O que havia sido perdido no mar agora retornava \u00e0 terra, como parte da mem\u00f3ria viva de quem esperou por ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa foi a hist\u00f3ria contada por Arlete Oliveira, professora da Sala de Leitura e Multim\u00eddia da escola e ativista ambiental, durante a Roda de Conta\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3rias que integrou a oficina. Acomodados todos que estavam na sala de aula para ouvir e comentar a hist\u00f3ria do barco. Foi nesse momento de escuta que algumas das crian\u00e7as puderam, por meio de fotografias que circularam de m\u00e3o em m\u00e3o, reconhecer tanto a figura do Lucarino, quanto alguns dos nomes envolvidos nessa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"225\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3-1024x225.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-22094\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3-1024x225.png 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3-300x66.png 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3-764x168.png 764w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3-1536x338.png 1536w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Fotos de Lucarino cedidas por Arlete Oliveira<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos interessa pensar nas fulgura\u00e7\u00f5es produzidas pela pr\u00f3pria fotografia em contexto escolar e naquilo que ela mobiliza em nossos modos de perceber. Ao circular entre as m\u00e3os das crian\u00e7as, as fotografias faziam aparecer uma mem\u00f3ria para que algo distante no tempo se tornasse novamente objeto de olhar. Como escreve Sontag (2004, p. 13), \u201cas fotos modificam e ampliam nossas ideias sobre o que vale a pena olhar e sobre o que temos o direito de observar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de ganhar imagens e novos contornos pelas m\u00e3os dos alunos, Lucarino j\u00e1 existia na mem\u00f3ria da comunidade. Foi por isso que, previamente, o escolhemos. Era uma hist\u00f3ria contada e recontada, atravessada pela oralidade e pelo imagin\u00e1rio de quem vive e navega por aquelas \u00e1guas. A anima\u00e7\u00e3o n\u00e3o inventa Lucarino &#8211; ela parte de uma hist\u00f3ria que j\u00e1 navegava por Diogo Lopes para, quadro a quadro, faz\u00ea-la navegar de outra maneira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chegar \u00e0 sala com uma hist\u00f3ria pronta significaria estabelecer de antem\u00e3o aquilo que deveria ser visto, dito e imaginado. A escolha por uma coletividade aberta aos saberes permitiu que outros pontos de vista entrassem no processo e que a pr\u00f3pria realidade fosse sendo desvelada e transformada pelos alunos \u00e0 medida que a narrativa se constru\u00eda. \u00c9 nesse sentido que \u201ceducar significa introduzir a cunha da diferen\u00e7a em um mundo que sem ela se limitaria a reproduzir o mesmo e o id\u00eantico, um mundo parado, um mundo morto\u201d (Silva, 2022, p. 101).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>INVENTAR COM AS M\u00c3OS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escolhemos a anima\u00e7\u00e3o por ser um suporte capaz de acolher diferentes formas de imaginar e narrar. Por meio dela, objetos simples podem se transformar em personagens, cen\u00e1rios podem ser constru\u00eddos a partir do que est\u00e1 ao alcance das m\u00e3os e aquilo que antes existia apenas como ideia pode, pouco a pouco, encontrar uma forma de aparecer. Mas, quais objetos utilizar para construir essa hist\u00f3ria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo o distrito de Diogo Lopes um territ\u00f3rio marcado pela luta dos moradores que viabilizaram a cria\u00e7\u00e3o da Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Estadual Ponta do Tubar\u00e3o (RDSEPT), uma hist\u00f3ria de mobiliza\u00e7\u00e3o social que tamb\u00e9m atravessa a rela\u00e7\u00e3o da comunidade com o ambiente em que vive. \u00c9 nesse entrela\u00e7amento entre o lugar vivido e as hist\u00f3rias que o constituem que a atividade buscou se inscrever. Por isso, os estudantes foram incentivados a olhar para aquilo que j\u00e1 estava ao seu redor e transformar materiais recicl\u00e1veis em parte da anima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"337\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4-1024x337.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22096\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4-1024x337.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4-300x98.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4-767x252.jpg 767w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4-1536x505.jpg 1536w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/4.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagens da produ\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios para anima\u00e7\u00e3o durante a oficina | Cr\u00e9ditos: Observat\u00f3rio do Audiovisual Potiguar<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um certo momento da oficina, precisamos oferecer uma refer\u00eancia visual e tem\u00e1tica para o desenvolvimento da hist\u00f3ria a ser constru\u00edda. Com a exibi\u00e7\u00e3o do curta-metragem de anima\u00e7\u00e3o \u201cMar\u00e9 Braba\u201d (Peregrino, 2023), foi poss\u00edvel n\u00e3o apenas elucidar algumas d\u00favidas sobre o que \u00e9 o cinema stop-motion, mas tamb\u00e9m p\u00f4r em pauta as amea\u00e7as e problem\u00e1ticas tra\u00e7adas contra ambientes de vida marinha e de comunidades tradicionais, como \u00e9 o caso de Diogo Lopes, e a necessidade da a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para mudan\u00e7as concretas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"815\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5-1024x435.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22097\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5-1024x435.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5-768x326.jpg 768w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5-300x127.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5-1536x652.jpg 1536w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Cr\u00e9ditos das imagens: frames do curta-metragem \u201cMar\u00e9 Braba\u201d (dire\u00e7\u00e3o: P\u00e2mela Peregrino, 2023)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso em mente, precis\u00e1vamos de uma narrativa. T\u00ednhamos mobilizado todos os elementos que quer\u00edamos com as crian\u00e7as: as anima\u00e7\u00f5es em stop-motion, Lucarino, a import\u00e2ncia das hist\u00f3rias, a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, mas faltava um elo de conex\u00e3o para todos esses elementos. Como quer\u00edamos que os alunos passassem por todo o processo da constru\u00e7\u00e3o de um filme, deixamos que eles criassem essa narrativa como bem quisessem &#8211; fazendo media\u00e7\u00f5es para que esta fosse execut\u00e1vel no tempo que t\u00ednhamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com essa abertura, muitas possibilidades come\u00e7aram a surgir, e era um terreno fecundo para ideias, pois a imagina\u00e7\u00e3o e o poder fabulador das crian\u00e7as o permitem. Uma ideia levava \u00e0 outra. Quando um bra\u00e7o erguia com uma opini\u00e3o, o coletivo contribu\u00eda para decidir como aquela escolha poderia acontecer. Assim seguimos preenchendo a lousa com uma s\u00e9rie de elementos e id\u00e9ias que os alunos conceberam. Foram denotando problem\u00e1ticas que est\u00e3o presentes em Diogo Lopes e reimaginada do barco Lucarino a partir disso.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"840\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6-1024x840.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-22099\" style=\"width:284px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6-1024x840.png 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6-300x246.png 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6-768x630.png 768w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/6.png 1316w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa constru\u00e7\u00e3o coletiva possibilitou que compreendessem o que a narrativa precisava, o que poderia ser cortado e quais elementos faltavam para contar o que queriam. Ao fim, o barco ganhou uma nova aventura: Lucarino estava no meio do mar quando uma tempestade o alcan\u00e7ou. Em meio \u00e0s \u00e1guas agitadas, os animais marinhos se aproximaram para resgatar o barco. Depois de ser salvo, Lucarino encontrou uma maneira de agradecer. Em retribui\u00e7\u00e3o ao gesto dos animais, passou a limpar o mar, devolvendo \u00e0s \u00e1guas o cuidado que havia recebido. Indo contra aquela ideia de uma realidade imut\u00e1vel, que carrega uma apatia paralisante que se instaura, sem escolher faixa et\u00e1ria, o barco passou a ser um personagem que contempla desejos de altera\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"268\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/7-1024x268.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22100\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/7-1024x268.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/7-300x78.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/7-765x200.jpg 765w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/7-1536x402.jpg 1536w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/7.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagens: Storyboard produzido pelos estudantes durante a oficina<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O surgimento de personagens foi algo significativo. Em um determinado momento, pareciam muitos para o pequeno cen\u00e1rio desenvolvido pelos alunos. Mesmo assim, cada um carregava um motivo para estar ali: \u201cvi uma vez\u201d, justificava um. Havia ali a possibilidade de inventar, de trazer para dentro da narrativa aquilo que era pr\u00f3prio e conhecido, e isso, antes de tudo, era divertido. Essas ramifica\u00e7\u00f5es trouxeram a perspectiva das crian\u00e7as sobre como deveria ser mostrado os elementos, destacando, inclusive suas subjetividades e experi\u00eancias. \u00c9 nesse movimento que a anima\u00e7\u00e3o se revela como recurso expressivo, n\u00e3o apenas como uma t\u00e9cnica para dar movimento \u00e0s imagens, mas como espa\u00e7o para que diferentes experi\u00eancias encontrem uma forma de existir e de transformar, ainda que por alguns instantes, a realidade que as cerca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As d\u00favidas tamb\u00e9m se fizeram presentes, e foi quando enxergamos nossos pr\u00f3prios limites e possibilidades. Com as crian\u00e7as, isso acontece o tempo todo e \u00e9 surpreendente acompanhar esse processo. Por exemplo, os alunos adoravam moldar os personagens com massinha. Mas chegou um momento em que perceberam que nem tudo poderia ser feito assim. Como fariam a vela do barco de massinha, se ela pesava demais e afundava a estrutura? A solu\u00e7\u00e3o veio do papel, mais leve e simples para o que precisavam. Dessa maneira, o personagem principal da anima\u00e7\u00e3o ia surgindo coletivamente e carregando um pouco de cada pessoa que ajudou a faz\u00ea-lo navegar, assim como aconteceu com Lucarino na vida real, onde a mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade o trouxe de volta \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas min\u00facias desse processo de constru\u00e7\u00e3o da anima\u00e7\u00e3o em stop-motion, est\u00e1 imbricada uma rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria na vida e na identidade de cada um que \u00e9 a da significa\u00e7\u00e3o. Processo, esse, que foi convocado no momento em que os alunos reuniram esfor\u00e7os para elaborar essa outra hist\u00f3ria do barco Lucarino, com o mar que o envolve e todos os outros personagens inseridos, pensados e moldados por eles, modificando e criando esse novo rumo de aventura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o em que, por meio da escuta e da observa\u00e7\u00e3o, aliada ao experimentar-as-coisas, o mundo vai sendo continuamente preenchido num rico potencial de inven\u00e7\u00e3o. E nas inf\u00e2ncias, a inventividade \u00e9 repleta de exerc\u00edcios do pensar e de uma compreens\u00e3o pr\u00f3pria de mundo que vai sendo constru\u00edda no dia-a-dia. Ent\u00e3o, enquanto criavam as figuras e personagens da aventura do barco Lucarino, iam atribuindo e conferindo sentidos, mem\u00f3rias, palavras e conhecimentos \u00e0s coisas do mundo vivido e percebido, desde as hist\u00f3rias que escutaram sobre a embarca\u00e7\u00e3o at\u00e9 a nova hist\u00f3ria que haveriam de contar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"835\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/8-1024x835.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-22101\" style=\"aspect-ratio:1.2263612929716905;width:237px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/8-1024x835.png 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/8-300x245.png 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/8-767x626.png 767w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/8.png 1324w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da visualidade em si, com os elementos de cena, a pr\u00f3pria narra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria foi feita pelos alunos, o que lhes confere um protagonismo na conta\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria. Esse agenciamento criativo aqui confere uma abertura para a pot\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o de mundo. Nesse caso, uma cria\u00e7\u00e3o que foi a partir de m\u00e9todos t\u00e1teis e orais, que culminou na s\u00e9rie de imagens em movimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FABULAR OUTROS MUNDOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contrapondo uma terceiriza\u00e7\u00e3o do imaginar n(o) mundo e, portanto, de aprender n(ele), as experi\u00eancias que partem da materialidade e se constroem coletivamente no contexto educativo preservam suas fagulhas de vida: possibilidades de participa\u00e7\u00e3o ativa na vida social, de cria\u00e7\u00e3o compartilhada e de produ\u00e7\u00e3o de sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Modelar as figuras com massinha, recortar papel\u00e3o e tatear esses objetos pede dedica\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o. Pensar em como narrar essas figuras, com um cen\u00e1rio e hist\u00f3ria definidos, necessita de uma busca colaborativa pela forma de contar, a seu modo, essa hist\u00f3ria. H\u00e1, nesse processo, uma esp\u00e9cie de demora necess\u00e1ria, \u00e9 preciso permanecer diante dos objetos, experimentar suas possibilidades, desfazer e refazer escolhas. \u00c9 no ato de demorar-se em algo ou de \u201cpensar demoradamente sobre a vida\u201d (Lira, 2024, p. 2), que podemos tamb\u00e9m suspender a pressa de produzir imagens e nos permitir pens\u00e1-las enquanto as criamos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"343\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/9-1024x343.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22104\" style=\"aspect-ratio:2.98550563669684;width:594px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/9-1024x343.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/9-767x257.jpg 767w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/9-300x100.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/9-1536x514.jpg 1536w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/9.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Produ\u00e7\u00e3o de personagens para anima\u00e7\u00e3o | Cr\u00e9ditos das imagens: Observat\u00f3rio do Audiovisual Potiguar<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos tamb\u00e9m apreendendo e repensando o mundo em que vivemos nessa navega\u00e7\u00e3o. Atividades que abrem espa\u00e7o para o campo de \u201cCinema e Educa\u00e7\u00e3o\u201d inserem no ambiente escolar contatos que s\u00e3o repletos dessa inventividade renovadora. O trabalho descrito pelo projeto Inventar com a Diferen\u00e7a, da Universidade Federal Fluminense (UFF), aponta para esse caminho, pois \u201catrav\u00e9s do cinema podemos ter uma experi\u00eancia singular e intensa com o mundo, uma experi\u00eancia que \u00e9 a pr\u00f3pria inven\u00e7\u00e3o do mundo em que vivemos\u201d (Migliorin, et al., 2016, p. 10).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na EMJRC, percebemos que a din\u00e2mica coletiva de uma sala de aula se conecta profundamente com a pr\u00e1tica cinematogr\u00e1fica de produzir em equipes; de traduzir ideias individuais para o partilhar coletivo. \u00c9 essa experi\u00eancia com a coletividade que nos oferece uma riqueza intr\u00ednseca ao conviver com a diferen\u00e7a. Isso \u00e9 viver em sociedade, pois h\u00e1, nessas atividades em grupo, um terreno f\u00e9rtil para a tomada de consci\u00eancia sobre a pluralidade constitutiva do mundo que envolve as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse exerc\u00edcio de pensar coletivamente a realidade vivida que o jornal comunit\u00e1rio Vozes da Reserva, organizado pela jornalista Cec\u00edlia Melo, passou a fazer parte da experi\u00eancia em sala de aula. Suas p\u00e1ginas, atravessadas por hist\u00f3rias da Reserva, traziam para perto dos estudantes um territ\u00f3rio que j\u00e1 conheciam, mas que tamb\u00e9m poderia ser visto por meio de outras narrativas. Ao folhearem o jornal, eles encontravam rostos, lugares e hist\u00f3rias que faziam parte de suas experi\u00eancias, reconhecendo no papel uma vida que tamb\u00e9m lhes pertencia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"949\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/10-949x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-22105\" style=\"aspect-ratio:0.9267687215556475;width:259px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/10-949x1024.png 949w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/10-278x300.png 278w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/10-767x828.png 767w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/10.png 1001w\" sizes=\"(max-width: 949px) 100vw, 949px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas aquilo que se reconhece tamb\u00e9m pode ser deslocado pela imagina\u00e7\u00e3o. Ao encontrar no jornal elementos de uma realidade pr\u00f3xima, os estudantes tamb\u00e9m estavam diante da possibilidade de pensar o que poderia ser diferente. Afinal, em um processo repleto de aprendizados, \u201co saber vai mudando o tempo todo, se alterando e se adaptando \u00e0s condi\u00e7\u00f5es\u201d (Marcondes Filho, 2019, p. 18). Esse \u00e9 um conhecimento que concerne a comunica\u00e7\u00e3o e, no entanto, \u00e9 uma reflex\u00e3o que se aplica profundamente nas experi\u00eancias em sala de aula. A anima\u00e7\u00e3o acompanha esse movimento. Como m\u00e9todo cinematogr\u00e1fico e pr\u00e1tica de produ\u00e7\u00e3o em equipe, ela se constr\u00f3i na mudan\u00e7a, assim como o saber.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imaginar, escrever e, ent\u00e3o, narrar a hist\u00f3ria do Lucarino, n\u00e3o apenas como a navega\u00e7\u00e3o veloz que \u00e9, mas como um barco que limpa um trecho de mar polu\u00eddo \u00e9, tamb\u00e9m, problematizar essa realidade para tramar outras alternativas de vida. A problematiza\u00e7\u00e3o \u00e9 tida como \u201ca reflex\u00e3o que algu\u00e9m exerce sobre um conte\u00fado, fruto de um ato, ou sobre o pr\u00f3prio ato, para agir melhor, com os demais, na realidade.\u201d (Freire, 2022, p. 111).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A necessidade de evitar um cen\u00e1rio em que a amea\u00e7a contra a vida dos mares j\u00e1 existe, ficou sublinhada nas a\u00e7\u00f5es e desejos da turma direcionadas ao espa\u00e7o. Essa dimens\u00e3o transformadora do que ocorre ao imaginarrar ou ao escreviver (Evaristo, 2022, p. 9) o mundo se conecta com o entendimento de que \u201ca imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 parte constituinte da percep\u00e7\u00e3o da realidade\u201d e de que, portanto, \u201co imagin\u00e1rio faz parte da pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o da dita realidade\u201d (Martins, 2023, p. 92-93).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"191\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/11-1024x191.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22106\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/11-1024x191.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/11-300x56.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/11-765x143.jpg 765w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/11-1536x287.jpg 1536w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/11.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Estudantes durante a oficina em Diogo Lopes | Cr\u00e9ditos das imagens: Observat\u00f3rio do Audiovisual Potiguar<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa caracter\u00edstica da narra\u00e7\u00e3o, que ali foi criada ao especularem um rumo alternativo para essa hist\u00f3ria j\u00e1 conhecida, se expressa numa pot\u00eancia de projeto do real que se revela como comunit\u00e1ria, ao ser \u201cconstru\u00edda por agentes conectados com os fatos encontrados na materialidade\u201d, ou seja, por meio de indiv\u00edduos que est\u00e3o presentes no entorno e que o comp\u00f5em ativamente (Martins, 2023, p. 93).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nisso, a participa\u00e7\u00e3o ativa do corpo docente e de pessoas da comunidade enriquece as atividades coletivas, fazendo dos saberes locais uma for\u00e7a que tamb\u00e9m participa da cria\u00e7\u00e3o. Afinal, h\u00e1 diferentes maneiras de olhar, sentir e imaginar o mundo, e s\u00e3o esses modos de perceb\u00ea-lo que atravessam aquilo que criamos, as hist\u00f3rias que escolhemos contar e at\u00e9 aquilo que conseguimos desejar para al\u00e9m do que j\u00e1 existe. O passado, ent\u00e3o, n\u00e3o permanece im\u00f3vel &#8211; ele chega ao presente, atravessa os modos de perceber o territ\u00f3rio e pode tamb\u00e9m alimentar outros desejos de futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FAZER A IMAGEM NAVEGAR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao abordar o processo criativo com as crian\u00e7as, foi necess\u00e1rio um cuidado para que a criatividade delas encontrasse ali um espa\u00e7o de express\u00e3o, e n\u00e3o de cerceio que poder\u00edamos acabar aplicando \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o delas. Ao lidarmos com as suas sugest\u00f5es, adotamos um respeito basilar na pr\u00e1tica pedag\u00f3gica que preconiza que o aprendizado \u00e9 coletivo. E n\u00f3s, envolvidos numa atividade de extens\u00e3o universit\u00e1ria, precisamos conduzir os saberes acad\u00eamicos para uma diretriz de conflu\u00eancia e n\u00e3o de imposi\u00e7\u00e3o que cristaliza os conhecimentos. Est\u00e1vamos abertos a possibilidades que nem chegamos a cogitar durante a prepara\u00e7\u00e3o da oficina. Foram possibilidades pedag\u00f3gicas, narrativas e criativas que estavam ali \u00e0 todo instante em a\u00e7\u00e3o, nas diferentes etapas da oficina. E era preciso escutar as ideias que iam surgindo. Uma aus\u00eancia dessa escuta afetaria profundamente o processo que se deu.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"719\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/12-1024x719.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-22108\" style=\"aspect-ratio:1.4242191432431717;width:395px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/12-1024x719.png 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/12-300x211.png 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/12-767x538.png 767w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/12-1536x1078.png 1536w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/12.png 1539w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atrelado a essa escuta atenta para as reflex\u00f5es e pr\u00e1ticas dos alunos, tamb\u00e9m est\u00e1 implicado que estivemos em contato direto com as perguntas que ali surgiram. O questionamento das crian\u00e7as no percurso encontrou o \u201ce se\u201d na cria\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria ficcional acerca do Lucarino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E se um barco fosse salvo por seres do mar e, em troca, retirasse dali todo o lixo que o polui? Deparar-se cotidianamente com o territ\u00f3rio ao seu redor e questionar-se com a matriz de um \u201ce se?\u201d, nos remete \u00e0 a\u00e7\u00e3o de especular e de fabular, algo que \u00e9 intr\u00ednseco tanto ao tatear do conhecimento, quanto a produ\u00e7\u00e3o de um roteiro para o cinema, que \u00e9 uma obra em aberto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 com isso em mente que levamos esses m\u00e9todos para a oficina \u201cReserva em Foco: conectando saberes\u201d. Se a escuta participativa prop\u00f5e considerar ativamente, nos contextos educativos, as vozes que j\u00e1 existem naquele espa\u00e7o, ela tamb\u00e9m se constr\u00f3i na busca conjunta pelos saberes que atravessam a comunidade. Nesse caso, a escuta n\u00e3o se limita \u00e0s paredes da escola: ela se expande para o ambiente em que a escola est\u00e1 inserida e para as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem com a Reserva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aliado a isso, suscitamos as pr\u00e1ticas cinematogr\u00e1ficas na educa\u00e7\u00e3o como algo capaz de inserir a motriz da exce\u00e7\u00e3o que, pela rigidez da regra, pode permanecer exclu\u00edda, inaudita. Nas palavras de Alain Bergala: \u201cO ensino se ocupa da regra, a arte deve ocupar um lugar de exce\u00e7\u00e3o. [&#8230;] \u00c9 essa a diferen\u00e7a entre os ensinos art\u00edsticos e a educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, entre ensino e inicia\u00e7\u00e3o.\u201d (Bergala, 2002, p. 31 e 65). A exce\u00e7\u00e3o como possibilidade de experimentar outras formas de ver aquilo que j\u00e1 estava diante de n\u00f3s. \u00c9 nesse espa\u00e7o de abertura que a pr\u00e1tica cinematogr\u00e1fica pode encontrar a educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para substituir os saberes que j\u00e1 existem, mas para coloc\u00e1-los em movimento, permitindo que novas rela\u00e7\u00f5es possam ser constru\u00eddas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"488\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/13-1024x488.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22110\" style=\"width:585px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/13-1024x488.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/13-300x143.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/13-768x366.jpg 768w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/13-1536x732.jpg 1536w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/13.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Estudantes durante a oficina em Diogo Lopes | Cr\u00e9ditos das imagens: Observat\u00f3rio do Audiovisual Potiguar<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00faltimo dia da oficina, os trabalhos se voltaram para a proje\u00e7\u00e3o da aventura criada pelos alunos. Na Sala de Leitura e Multim\u00eddia da escola, nos reunimos diante da tela para assistir ao resultado e, ao mesmo tempo, retornar ao pr\u00f3prio processo: foram exibidos a anima\u00e7\u00e3o e um v\u00eddeo de bastidores, ambos editados por membros da equipe da oficina ap\u00f3s as atividades no dia anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proje\u00e7\u00e3o, essa pequena e especial sess\u00e3o de cinema, tornou-se um momento de encontro. Aquilo que havia sido constru\u00eddo entre conversas, escolhas, recortes, movimentos e imagens retornava agora aos estudantes como uma obra concreta. As Aventuras de Lucarino chegava como o resultado de uma experi\u00eancia atravessada pela colabora\u00e7\u00e3o e pela inventividade de todos os envolvidos. Nesse sentido, a sess\u00e3o tamb\u00e9m materializava uma compreens\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o como comunica\u00e7\u00e3o, pois, como afirma Freire, \u201ca educa\u00e7\u00e3o \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 di\u00e1logo, na medida em que n\u00e3o \u00e9 a transfer\u00eancia de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significa\u00e7\u00e3o dos significados\u201d (Freire, 2022, p. 89).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estar presente no espa\u00e7o que nos concerne, pensando e partilhando esse espa\u00e7o, foi tamb\u00e9m uma maneira de reconhecer que as hist\u00f3rias n\u00e3o chegam prontas \u00e0queles que as narram. Elas carregam as marcas de quem as vive, de quem as escuta e de quem, em algum momento, decide cont\u00e1-las novamente. As Aventuras de Lucarino nasceu de uma hist\u00f3ria que j\u00e1 pertencia \u00e0 mem\u00f3ria de Diogo Lopes, mas encontrou nas m\u00e3os das crian\u00e7as outras possibilidades de existir. Entre a vela de papel, os personagens de massinha, as fotografias, as vozes e os pequenos movimentos diante da c\u00e2mera, uma mem\u00f3ria foi sendo remontada sem deixar de ser reconhecida.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"239\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/14-1024x239.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22112\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/14-1024x239.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/14-765x179.jpg 765w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/14-300x70.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/14-1536x359.jpg 1536w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/14.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagens da proje\u00e7\u00e3o da anima\u00e7\u00e3o na escola e encerramento da oficina | Cr\u00e9ditos das imagens: Observat\u00f3rio do Audiovisual Potiguar<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um barco que antes repousava no fundo do mar p\u00f4de navegar novamente; desta vez, por uma hist\u00f3ria inventada pelas crian\u00e7as, ele p\u00f4de tamb\u00e9m cuidar das \u00e1guas que o receberam. O que aconteceu na oficina n\u00e3o foi apenas a cria\u00e7\u00e3o de uma anima\u00e7\u00e3o. Foi a abertura de um intervalo para olhar novamente para o lugar vivido, para aquilo que se sabe sobre ele e para aquilo que ainda se pode desejar. E assim, quando a \u00faltima imagem desaparece, alguma coisa permanece em movimento. Talvez o cinema seja justamente uma maneira de fazer durar o que passa. \u00c9 nele que a imagina\u00e7\u00e3o respira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode ser que este seja o gesto mais profundo de imaginar: tocar o mundo sem encerr\u00e1-lo. Inventar n\u00e3o para abandonar a realidade, mas para faz\u00ea-la respirar por outras frestas. Porque h\u00e1 sempre um instante &#8211; breve, quase invis\u00edvel &#8211; em que o que foi vivido encontra aquilo que ainda pode ser. Um intervalo entre o que lembramos e o que desejamos. Entre o mundo que recebemos e aquele que, juntos, ainda podemos fabular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse intervalo que Lucarino voltou a navegar. E talvez continue navegando. N\u00e3o mais apenas sobre o mar, nem apenas sobre a tela, mas nesse lugar onde as hist\u00f3rias permanecem \u00e0 espera de outras m\u00e3os, outros olhos, outras vozes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Texto escrito por<\/strong> Lorrana Santos e Lucas de Andrade Ara\u00fajo<br>Graduandos no Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 Audiovisual da UFRN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ilustra\u00e7\u00f5es criadas por<\/strong> Lorrana Santos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Texto revisado por<\/strong> Enzo Sores<br>Graduando no curso de Jornalismo na UFRN.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Trabalho orientado por<\/strong> Theresa Medeiros<br>Doutora em Comunica\u00e7\u00e3o, professora do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o Social da UFRN e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Estudos da M\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Observat\u00f3rio do Audiovisual Potiguar \u00e9 um projeto de extens\u00e3o desenvolvido com o apoio da Pr\u00f3-reitoria de Extens\u00e3o (PROEX \u2013 UFRN) e a Pr\u00f3-Reitoria de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da UFRN (PPG\/UFRN).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BERGALA, Alain. A Hip\u00f3tese-Cinema: pequeno tratado de transmiss\u00e3o do cinema dentro e fora da escola. Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00f4nica Costa Netto, Silvia Pimenta. Rio de Janeiro: CINEAD\/UFRJ, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CHAUI, Marilena. O que \u00e9 ideologia. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1986.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EVARISTO, Concei\u00e7\u00e3o. Can\u00e7\u00e3o para ninar menino grande. Rio de Janeiro: Editora Mal\u00ea, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FREIRE, Paulo. Extens\u00e3o ou Comunica\u00e7\u00e3o?. 25 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica da liberdade. Tradu\u00e7\u00e3o de Marcelo Brand\u00e3o Cipolla. S\u00e3o Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LIRA, Ana. Imageando possibilidades da demora: o matutar como filosofia. Revista ZUM, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistazum.com.br\/ensaios\/imageando-possibilidades-da-demora\/\">https:\/\/revistazum.com.br\/ensaios\/imageando-possibilidades-da-demora\/<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARCONDES FILHO, Ciro. A quest\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o. Paulus: revista de comunica\u00e7\u00e3o da FAPCOM, v. 3, n. ja\/jul. 2019, p. 17-26, 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.31657\/rcp.v3i5.87\">https:\/\/doi.org\/10.31657\/rcp.v3i5.87<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAR\u00c9 BRABA. Dire\u00e7\u00e3o de P\u00e2mela Peregrino. Brasil: Borboletas Filmes \/ Instituto Terramar, 2023. 1 curta-metragem (7 min), son., color. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/youtu.be\/C3WwLHPRAiQ?is=qO_fCbUqK_36G9AJ\">https:\/\/youtu.be\/C3WwLHPRAiQ?is=qO_fCbUqK_36G9AJ<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARTINS, Kariny. Fic\u00e7\u00e3o Especulativa no Cinema Negro Brasileiro: a est\u00e9tica afrofuturista em curtas-metragens. 1. ed. Curitiba: A Quadro, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MIGLIORIN, Cezar, et al. Cadernos de Inventar: cinema, educa\u00e7\u00e3o e direitos humanos. Niter\u00f3i, RJ: EDG, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Tomaz Tadeu. A produ\u00e7\u00e3o social da identidade e da diferen\u00e7a. In: SILVA, Tomaz Tadeu (Org.). Identidade e diferen\u00e7a : A perspectiva dos Estudos Culturais. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 15. ed, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SONTAG, Susan. Sobre fotografia. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 17. ed., 2004.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem come\u00e7a onde a imagina\u00e7\u00e3o encontra uma maneira de ganhar forma. 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