{"id":22016,"date":"2025-10-20T11:11:15","date_gmt":"2025-10-20T14:11:15","guid":{"rendered":"https:\/\/opa.ufrn.br\/?p=22016"},"modified":"2025-10-20T11:34:16","modified_gmt":"2025-10-20T14:34:16","slug":"reserva-em-foco-uma-experiencia-de-formacao-e-extensao-universitaria-em-diogo-lopes-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/opa.ufrn.br\/index.php\/reserva-em-foco-uma-experiencia-de-formacao-e-extensao-universitaria-em-diogo-lopes-rn\/","title":{"rendered":"Reserva em Foco: uma experi\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o universit\u00e1ria em Diogo Lopes\/RN"},"content":{"rendered":"\n<p>As crian\u00e7as s\u00e3o, por natureza, pequenas investigadoras do mundo. Seus questionamentos: \u201cPor que o c\u00e9u \u00e9 azul?\u201d, \u201cPor que aqui \u00e9 quente?\u201d, \u201cPor que ele fez isso?\u201d, s\u00e3o mais do que simples d\u00favidas; s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es do desejo de entender a realidade, de dar sentido \u00e0s experi\u00eancias que vivem. As respostas que recebemos a esses questionamentos, nos ajudam a formar uma ideia sobre o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste lugar das respostas, as imagens podem figurar um grande poder, pois a elas atribuem-se n\u00e3o apenas sentidos, mas tamb\u00e9m exemplos daquilo que falamos. A imagem est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 forma como o ser humano percebe, interpreta e representa o mundo. N\u00e3o \u00e9 atoa que os livros infantis s\u00e3o recheados de imagens. O olhar e a percep\u00e7\u00e3o s\u00e3o as portas pelas quais o mundo se apresenta a n\u00f3s, e ao oferecer \u00e0s crian\u00e7as a possibilidade de registrar o mundo por meio da fotografia, abrimos uma via para que elas possam expressar sua vis\u00e3o particular e sens\u00edvel da realidade. \u00c9 exatamente no reconhecimento da imagem como linguagem e ferramenta de leitura do mundo que a educa\u00e7\u00e3o encontra um vasto campo de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A conex\u00e3o entre cinema, fotografia e educa\u00e7\u00e3o vem sendo objeto de estudos e pr\u00e1ticas que destacam o potencial dessas linguagens para a forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e est\u00e9tica dos sujeitos. Existe um campo de estudos que tem sido nomeado \u201cCinema e Educa\u00e7\u00e3o\u201d, que segundo Liana Lobo Baptista:<\/p>\n\n\n\n<p><em>[\u2026] tem se organizado e se fortalecido principalmente no di\u00e1logo entre pesquisadores vinculados a universidades p\u00fablicas &#8211; em programas de Educa\u00e7\u00e3o, Cinema, Artes, ou Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; com professores das diversas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, com coletivos e com projetos diversos que atuam diretamente em suas comunidades (Baptista, 2023, p. 13).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O cinema, quando integrado aos processos educativos, abre espa\u00e7o para outras formas de perceber, narrar e problematizar o mundo, favorecendo a constru\u00e7\u00e3o de olhares mais sens\u00edveis e cr\u00edticos. Ao entrar em di\u00e1logo com a educa\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o se limita a ilustrar conte\u00fados, mas prop\u00f5e experi\u00eancias que mobilizam emo\u00e7\u00f5es, mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o, elementos essenciais para uma aprendizagem significativa. Como destaca Adriana Fresquet, \u201ca tela de cinema (ou do visor da c\u00e2mera) se instaura como uma nova forma de membrana para permear um outro modo de comunica\u00e7\u00e3o com o outro (com a alteridade do mundo, das pessoas, das coisas, dos sistemas) e com o si pr\u00f3prio\u201d (Fresquet, 2013, p. 19). Assim, o cinema possibilita ao sujeito transitar entre o mundo exterior e o interior, abrindo caminhos para o autoconhecimento e a escuta do outro, dimens\u00f5es fundamentais no processo educativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha primeira aproxima\u00e7\u00e3o consciente com as discuss\u00f5es sobre esse tema foi na disciplina &#8220;Cinema e Educa\u00e7\u00e3o&#8221;, do curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social &#8211; Audiovisual da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em uma das discuss\u00f5es provocadas durante uma aula sobre a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l13006.htm\">Lei n\u00ba 13.006\/2014<\/a>, que prev\u00ea a exibi\u00e7\u00e3o de filmes de produ\u00e7\u00e3o nacional nas escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, uma aluna da disciplina questionou: \u201cO que podemos fazer, com o que j\u00e1 est\u00e1 dado na realidade, para transform\u00e1-la?\u201d. Essa pergunta me marcou e me acompanhou durante alguns dias. Naquele contexto, fal\u00e1vamos das dificuldades encontradas quando analisamos a execu\u00e7\u00e3o da Lei observando as diferentes territorialidades e realidades do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso intuito, assim como prev\u00ea Cezar Migliorin e Isaac Pipano, \u00e9 pensar uma proposta audiovisual que busque \u201cum relacionar-se com o mundo que mais interroga, v\u00ea e ouve, do que explica\u201d (Migliorin; Pipano, 2018, p. 39). Outro questionamento vem agora, <em>o que pode a imagem na m\u00e3o das crian\u00e7as?<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"488\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2025.2-MONTAGEM-DE-FOTOS-PARA-OPA-OFICINA-1024x488.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-22018\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2025.2-MONTAGEM-DE-FOTOS-PARA-OPA-OFICINA-1024x488.png 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2025.2-MONTAGEM-DE-FOTOS-PARA-OPA-OFICINA-300x143.png 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2025.2-MONTAGEM-DE-FOTOS-PARA-OPA-OFICINA-768x366.png 768w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2025.2-MONTAGEM-DE-FOTOS-PARA-OPA-OFICINA.png 1077w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O m\u00e9todo nos faz navegar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Falando ainda na disciplina, a atividade de encerramento da mesma, era a produ\u00e7\u00e3o de um projeto que trabalhasse Cinema e Educa\u00e7\u00e3o em suas diversas perspectivas. Em parceria com Cec\u00edlia Melo e La\u00eds Ralline, escrevemos o \u201cReserva em Foco: conectando saberes\u201d, que tinha como objetivo promover a pr\u00e1tica da fotografia entre crian\u00e7as do 5\u00ba ano do ensino fundamental da Escola Municipal em Tempo Integral Jos\u00e9 Ribeiro da Costa, localizada no distrito de Diogo Lopes, em Macau\/RN. A cidade faz parte da Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Estadual Ponta do Tubar\u00e3o (RDSEPT). O nome \u201cReserva em Foco&#8221; surge da inten\u00e7\u00e3o de colocar em evid\u00eancia os olhares das crian\u00e7as sob esse territ\u00f3rio que habitam t\u00e3o rico em saberes e belezas naturais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"559\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_1-1024x559.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22019\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_1-1024x559.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_1-300x164.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_1-768x420.jpg 768w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_1.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Propomos a aproxima\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as e seu territ\u00f3rio, por meio de provoca\u00e7\u00f5es aos alunos a partir da ideia de \u201cfeio\u201d e \u201cbelo\u201d na perspectiva de cada um deles, com o recorte do meio ambiente. A provoca\u00e7\u00e3o central \u00e9 faz\u00ea-los pensar sobre o que eles acham bonito e feio no lugar onde moram, criando as pr\u00f3prias conclus\u00f5es sobre essa quest\u00e3o. Estamos pensando na perspectiva do territ\u00f3rio porque ele faz parte da vida de todos os seres humanos, e com isso buscamos auxiliar no processo de valoriza\u00e7\u00e3o das suas exist\u00eancias e de seu territ\u00f3rio o qual n\u00e3o \u00e9 apenas um espa\u00e7o f\u00edsico ocupado, mas o resultado de rela\u00e7\u00f5es sociais, culturais e pol\u00edticas que configuram e d\u00e3o significado ao espa\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p>Para trabalharmos a t\u00e9cnica da fotografia, al\u00e9m de ensinarmos os elementos b\u00e1sicos de como usar a c\u00e2mera, utilizamos o dispositivo das molduras que trabalha justamente aquilo que mais quer\u00edamos com o ensino da fotografia: <em>o que olhar? <\/em>Disponibilizamos pap\u00e9is, canetas, l\u00e1pis de cor, giz de cera, cola e tesoura para que eles criassem suas pr\u00f3prias molduras, para que trabalh\u00e1ssemos com eles os enquadramentos das imagens poss\u00edveis:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O dispositivo visa colocar o estudante em uma situa\u00e7\u00e3o na qual ele pode definir o que deve ser visto na imagem e o que deve ficar fora de quadro. Trata-se de exercitar enquadramentos, pois o nosso olhar e nossos modos de ver s\u00e3o sempre parciais e localizados, recortes do mundo (Migliorin, et al, 2016, p. 34).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o projeto se baseia na pedagogia da escuta, na valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes locais e na troca entre universidade e comunidade. Para Elba Pereira dos Santos (2012), essa pedagogia \u00e9 voltada a valoriza\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 express\u00e3o infantil, pois \u201c\u00e9 fundamental ver e ouvir. Observar, construir o olhar, captar e procurar entender, reeducar o olho ao n\u00e3o dito, valorizar a narrativa, entender a hist\u00f3ria\u201d (Santos, 2012, p. 6). Ao final da oficina, realizamos uma exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica aberta \u00e0 escola, bem como \u00e0 comunidade, reunindo as imagens capturadas pelos pr\u00f3prios alunos durante a oficina. A mostra foi organizada a partir do olhar das crian\u00e7as, j\u00e1 que a curadoria foi feita com e pelos alunos, eles que elencaram suas vis\u00f5es de mundo, afetos e questionamentos sobre a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, destaca-se a import\u00e2ncia de uma atua\u00e7\u00e3o colaborativa com a escola, a partir da articula\u00e7\u00e3o com os saberes locais, que possibilita uma conflu\u00eancia de conhecimentos e potencializa os impactos do projeto. Al\u00e9m disso, reconhece-se a centralidade da Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel para a vida da comunidade envolvida, reafirmando a import\u00e2ncia de iniciativas que fortale\u00e7am sua preserva\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o por meio da escuta e da express\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aprender com o olhar: o fazer da oficina<\/strong><br>A partir dos di\u00e1logos entre Cec\u00edlia Melo (Oficineira), Arlete Oliveira (Servidora da Sala de Leitura e Multim\u00eddia) e Francisca Cavalcante (Coordenadora da Escola), \u00e9 que foi poss\u00edvel a execu\u00e7\u00e3o do projeto. Para sua realiza\u00e7\u00e3o, fizemos algumas altera\u00e7\u00f5es, principalmente, no que dizia respeito \u00e0s aproxima\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas com as crian\u00e7as e ganhamos um 5\u00ba elemento: Ester Costa, estudante de jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"578\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_2-1024x578.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22020\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_2-1024x578.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_2-300x169.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_2-768x434.jpg 768w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_2.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A oficina foi estruturada em tr\u00eas etapas, durante os dias 19 e 20 de setembro. A primeira consistiu em uma aproxima\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as ao tema \u201cBelo versus Feio\u201d, abordando tamb\u00e9m no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de composi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, o uso da c\u00e2mera e a constru\u00e7\u00e3o coletiva do dispositivo das molduras. Na segunda etapa, realizou-se uma caminhada fotogr\u00e1fica em grupos: cada oficineiro acompanhou uma equipe de cinco crian\u00e7as, nas quais cada participante teve dois minutos para fazer suas fotos. Em seguida, foi realizada uma curadoria individual, na qual cada crian\u00e7a escolheu duas imagens &#8211; uma representando o que considerava \u201cbelo\u201d e a outra, o que julgava \u201cfeio\u201d. Por fim, a terceira etapa envolveu a organiza\u00e7\u00e3o e montagem da exposi\u00e7\u00e3o com as fotos selecionadas por cada aluno. A mostra foi instalada em um mural no p\u00e1tio da escola e permaneceu dispon\u00edvel para visita\u00e7\u00e3o at\u00e9 o anivers\u00e1rio da escola.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Nosso maior desafio, naquele momento, era com n\u00f3s mesmos, oficineiros. Estar diante das crian\u00e7as, ali naquele territ\u00f3rio cheio de hist\u00f3rias, afetos e pot\u00eancias, exigia mais do que dom\u00ednio t\u00e9cnico ou dom\u00ednio de um conte\u00fado, exigia presen\u00e7a, escuta e disposi\u00e7\u00e3o para se deslocar de tudo que j\u00e1 sab\u00edamos. J\u00e1 est\u00e1vamos despidos da ideia de que hav\u00edamos chegado para ensinar, t\u00ednhamos assumido que est\u00e1vamos ali tamb\u00e9m, e talvez principalmente,&nbsp; para aprender.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00e1tica nos confrontou com nossas pr\u00f3prias certezas sobre o que \u00e9 ensinar e o que \u00e9 educar. Percebemos que conduzir uma oficina como essa n\u00e3o era seguir um roteiro fechado, mas aprender a improvisar com responsabilidade, criar caminhos a partir das crian\u00e7as, dos seus tempos e da sua curiosidade. Como diz Paulo Freire (1996, p. 18), \u201censinar exige respeito aos saberes dos educandos\u201d. E esse respeito n\u00e3o \u00e9 te\u00f3rico: ele se manifesta no modo como se escuta uma pergunta, como se acolhe uma imagem, como se valida um olhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse processo que tamb\u00e9m nos aproximamos da ideia de Alain Bergala (2008), de que a media\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica com as imagens deve abrir possibilidades, e n\u00e3o reduzir experi\u00eancias a f\u00f3rmulas. A c\u00e2mera, para n\u00f3s, n\u00e3o era um instrumento para obter \u201cboas fotos\u201d, mas um meio pelo qual cada crian\u00e7a poderia investigar o mundo ao seu redor, e nos mostrar o que talvez n\u00e3o v\u00edamos. Mas para que isso acontecesse, n\u00f3s, oficineiros, precis\u00e1vamos aprender a olhar com elas, e n\u00e3o por elas. Dessa maneira, o verdadeiro m\u00e9todo que nos guiava n\u00e3o estava apenas no plano elaborado ou no cronograma previsto no projeto, mas na nossa capacidade de nos deixar afetar, de nos mover junto com as crian\u00e7as e de reconhecer que nossa forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estava acontecendo ali, naquelas trocas, nos sil\u00eancios, nos sorrisos t\u00edmidos que revelavam mundos inteiros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"646\" src=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_3-1024x646.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-22021\" srcset=\"https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_3-1024x646.jpg 1024w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_3-300x189.jpg 300w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_3-768x484.jpg 768w, https:\/\/opa.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/montagem_opa_3.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao pensar o desenho metodol\u00f3gico da oficina <em>Reserva em Foco<\/em>, sab\u00edamos que n\u00e3o se tratava apenas de ensinar as crian\u00e7as a \u201cusar uma c\u00e2mera\u201d, mas de abrir espa\u00e7o para que o gesto fotogr\u00e1fico fosse vivido como forma de express\u00e3o pessoal. Nesse sentido, a inser\u00e7\u00e3o da imagem nas escolas n\u00e3o deve seguir uma l\u00f3gica instrumental, nem se limitar ao ensino t\u00e9cnico, mas deve ser pensada como uma experi\u00eancia est\u00e9tica e formadora de sensibilidade (Bergala, 2008). \u00c9 justamente essa perspectiva que guiou nossas decis\u00f5es metodol\u00f3gicas, desde a liberdade que demos \u00e0s crian\u00e7as para escolher seus temas e \u00e2ngulos, at\u00e9 a escuta atenta de suas inten\u00e7\u00f5es e narrativas por tr\u00e1s das imagens.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO cinema deve entrar na escola como exce\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o como regra\u201d (Bergala, 2008, p. 45), escreve ele, apontando que a experi\u00eancia est\u00e9tica precisa fugir da padroniza\u00e7\u00e3o curricular para encontrar um lugar onde a cria\u00e7\u00e3o possa emergir. Entendemos que a fotografia, assim como o cinema, n\u00e3o deveria ocupar o lugar de mais um conte\u00fado a ser \u201caplicado\u201d, mas de um convite ao olhar e \u00e0 inven\u00e7\u00e3o, partindo da realidade sens\u00edvel das crian\u00e7as de Diogo Lopes.<\/p>\n\n\n\n<p>Inspirados por essa abordagem, criamos uma oficina onde o processo era mais importante que o produto. Estimulamos a curiosidade, o jogo, a improvisa\u00e7\u00e3o. A c\u00e2mera foi apresentada como uma ferramenta de investiga\u00e7\u00e3o do cotidiano. Assim, cada fotografia tornou-se n\u00e3o apenas um registro, mas um exerc\u00edcio de autoria, ou, como diria Bergala, um espa\u00e7o onde as crian\u00e7as puderam \u201cconstituir uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com as imagens\u201d (Bergala, 2008, p. 37).<\/p>\n\n\n\n<p>A entrega da c\u00e2mera \u00e0s crian\u00e7as foi, simbolicamente, um gesto de transfer\u00eancia de poder. Um poder de narrar, de escolher o que mostrar, como mostrar e o que esconder. Como diz bell hooks, criar espa\u00e7os seguros para a express\u00e3o livre \u00e9 uma forma de subverter estruturas tradicionais de poder na educa\u00e7\u00e3o: \u201cA pedagogia engajada necessariamente valoriza a express\u00e3o do aluno\u201d (hooks, 2013, p. 35). Nesse sentido, a fotografia foi n\u00e3o apenas uma linguagem, mas uma ferramenta de autonomia e auto-representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da experi\u00eancia da oficina Reserva em Foco, a conviv\u00eancia com as crian\u00e7as nos trouxe muitas perguntas, sobretudo, como n\u00e3o bloquear a pot\u00eancia criativa e investigativa que elas j\u00e1 carregam consigo. Ao inv\u00e9s de entregar respostas prontas, procuramos criar situa\u00e7\u00f5es em que as crian\u00e7as explorassem, descobrissem, criassem. As imagens nasceram de situa\u00e7\u00f5es simples e do cotidiano de suas vidas. Nosso papel foi acompanhar esse processo com acolhimento, e n\u00e3o com censura ou corre\u00e7\u00e3o. Se saia uma foto tremida, torta, ou at\u00e9 mesmo desfocada, n\u00e3o buscamos repreender as crian\u00e7as, ou dizer que estava errado, mas mostrar a elas que poderiam fazer diferente, ou mesmo enxergar beleza naquilo que n\u00e3o \u00e9 lido como normativo.<\/p>\n\n\n\n<p>A beleza das imagens produzidas pelas crian\u00e7as n\u00e3o estava na t\u00e9cnica, mas na forma como elas traduziam suas percep\u00e7\u00f5es do mundo, seja ao registrar a areia, o bra\u00e7o de mar, o sorriso de um colega, ou o pr\u00f3prio espa\u00e7o da escola. Viver essa experi\u00eancia foi reconhecer, na pr\u00e1tica, a proposta freireana de uma pedagogia que emancipa, que constr\u00f3i junto e que parte do princ\u00edpio de que todos somos capazes de aprender, inclusive n\u00f3s, que ali est\u00e1vamos como oficineiros. Como nos lembra Freire: \u201cNingu\u00e9m educa ningu\u00e9m, ningu\u00e9m se educa sozinho, os homens se educam em comunh\u00e3o, mediatizados pelo mundo\u201d (Freire, 1987, p. 39). Foi exatamente essa comunh\u00e3o que buscamos viver e construir.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada crian\u00e7a, ao mirar pela lente da c\u00e2mera, fez uma escolha sobre o que ver, o que mostrar, o que deixar de fora. A fotografia nos revelou tanto o territ\u00f3rio quanto os afetos ali contidos. Em vez de um olhar tur\u00edstico ou de fora, as crian\u00e7as enquadraram a partir de dentro, com intimidade. \u201c<em>O que enxergar?\u201d<\/em> Pergunta que se repetia em sil\u00eancio cada vez que a c\u00e2mera era levantada. N\u00e3o era apenas a paisagem que estava em foco, mas suas rela\u00e7\u00f5es com ela, sua mem\u00f3ria, sua presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chamarmos o projeto de <em>Reserva em Foco<\/em>, intu\u00edmos essa inten\u00e7\u00e3o: n\u00e3o apenas focar a reserva enquanto lugar f\u00edsico, mas trazer \u00e0 tona os olhares de quem a habita, de quem a sente, e de quem a transforma todos os dias com sua presen\u00e7a. Foi atrav\u00e9s do enquadramento que elas mesmas definiram, que o territ\u00f3rio se reconfigurou naquele instante.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Travessias e retornos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A oficina nasceu dentro da universidade, mas se realizou fora dela, no territ\u00f3rio, nos encontros, nos afetos. Essa partida, no entanto, n\u00e3o foi apenas geogr\u00e1fica. Quando uma a\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o sai dos muros da universidade, ela leva mais do que conhecimento, leva escuta, leva perguntas, leva disposi\u00e7\u00e3o para o novo. No contato com as crian\u00e7as da comunidade de Diogo Lopes, fomos percebendo que n\u00e3o est\u00e1vamos ali apenas para ensinar fotografia, mas tamb\u00e9m para aprender a olhar, com mais aten\u00e7\u00e3o, com mais cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, partir foi tamb\u00e9m voltar. Voltar \u00e0 universidade com outro olhar sobre o que \u00e9 comunicar, sobre o que s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es com a sociedade, sobre qual o papel da nossa forma\u00e7\u00e3o. E, talvez, as crian\u00e7as tamb\u00e9m tenham voltado para suas casas com um olhar novo sobre si, sobre sua comunidade, sobre o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sair dos muros da universidade em dire\u00e7\u00e3o a outros territ\u00f3rios n\u00e3o significa apenas deslocamento f\u00edsico. Ao levarmos um projeto de extens\u00e3o a um territ\u00f3rio como Diogo Lopes, est\u00e1vamos tamb\u00e9m movimentando saberes, atravessando fronteiras simb\u00f3licas e nos permitindo ser afetados. Essa \u00e9 uma das maiores pot\u00eancias da extens\u00e3o universit\u00e1ria, ela n\u00e3o se resume \u00e0 ideia de <em>\u201clevar o saber acad\u00eamico\u201d<\/em>, mas se realiza plenamente quando h\u00e1 troca, escuta e transforma\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Confluir.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta da oficina <em>Reserva em Foco<\/em> foi fruto das inquieta\u00e7\u00f5es geradas pela disciplina Cinema e Educa\u00e7\u00e3o, e encontrou seu sentido mais profundo fora desse ambiente, no encontro com as crian\u00e7as, nos seus olhares e seus contextos. Nesse movimento, aprendemos que a universidade que se abre ao territ\u00f3rio n\u00e3o sai para ensinar, ela sai para aprender, para <em>descolonizar o saber<\/em>, para abrir-se \u00e0 pluralidade de experi\u00eancias e formas de ver o mundo. Confluir.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, uma a\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o como essa n\u00e3o deve enxergar os sujeitos das comunidades como simples receptores, mas como produtores de conhecimento leg\u00edtimos. Dessa forma, as crian\u00e7as da escola em Diogo Lopes n\u00e3o foram apenas aprendizes da linguagem fotogr\u00e1fica, foram nossas coautoras do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao voltarmos para a universidade depois da oficina, n\u00e3o voltamos os mesmos. A experi\u00eancia ampliou nosso olhar, questionou nossos m\u00e9todos e reafirmou que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato de amor, de escuta, de resist\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o. Extens\u00e3o \u00e9 isso: partir para voltar transformado. Esses espa\u00e7os s\u00e3o necess\u00e1rios para nos dar a possibilidade de olhar para o mundo com outras lentes. Literal e simbolicamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desaguar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da oficina, compreendemos que transgredir, no contexto da educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era quebrar regras por rebeldia, mas romper com l\u00f3gicas autorit\u00e1rias, hier\u00e1rquicas e controladoras que muitas vezes estruturam o ato de ensinar. Em seu pensamento, bell hooks afirma que ensinar \u00e9 um ato pol\u00edtico, e a sala de aula, ou, no nosso caso, o espa\u00e7o da oficina, era um lugar onde todos deveriam se sentir convidados a falar, a pensar e criar com liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando nos vimos desafiados n\u00e3o apenas a aplicar um plano, mas a ouvir as crian\u00e7as, seguir seus tempos, suas perguntas e seus olhares, entendemos que educar \u00e9 criar um espa\u00e7o em que o desejo de aprender n\u00e3o seja sufocado, mas cultivado, e isso n\u00e3o acontece em ambientes verticalizados, mas em comunidades de aprendizado, onde todos, inclusive os educadores, est\u00e3o em processo.<\/p>\n\n\n\n<p>A oficina tinha, em seu sentido real, o desejo de abrir m\u00e3o do controle dos resultados e focar no processo. Quer\u00edamos que cada uma das crian\u00e7as experimentassem criar e ser livres nesse criar.&nbsp; Foi nesse lugar que a oficina se tornou mais do que um projeto acad\u00eamico, tornou-se um encontro transformador.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se revelou ali n\u00e3o foi apenas o territ\u00f3rio da Reserva, mas os afetos que o habitam, os v\u00ednculos que o sustentam e as hist\u00f3rias que muitas vezes passam despercebidas. Foi nesse gesto de devolver \u00e0s crian\u00e7as o poder de narrar, e a responsabilidade de escolher o que mostrar, que a oficina se tornou um processo de emancipa\u00e7\u00e3o m\u00fatua.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendemos tamb\u00e9m que a extens\u00e3o universit\u00e1ria, quando verdadeiramente comprometida com os territ\u00f3rios e suas gentes, n\u00e3o se limita \u00e0 transfer\u00eancia de saberes acad\u00eamicos. Ela se realiza quando h\u00e1 conflu\u00eancia, quando a universidade se permite aprender, desaprender e reaprender com os saberes daquele local, com os sil\u00eancios, com os gestos, com a escuta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao voltarmos para a universidade, carregamos conosco n\u00e3o apenas registros fotogr\u00e1ficos ou relatos de experi\u00eancia, mas uma transforma\u00e7\u00e3o no modo de compreender a educa\u00e7\u00e3o, a extens\u00e3o e o nosso papel enquanto formandos. Assim, a oficina se fez mais do que um projeto acad\u00eamico. Ela foi encontro. Foi processo. Foi viv\u00eancia. E, sobretudo, foi movimento. Partimos para ensinar &#8211; voltamos tendo aprendido. E talvez seja essa a maior li\u00e7\u00e3o: que os saberes n\u00e3o t\u00eam um \u00fanico centro, e que, quando olhamos com as crian\u00e7as, o mundo ganha novas possibilidades de foco, sentido e transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Texto escrito por <strong>Enzo Soares<\/strong><br>Revisador por Theresa Medeiros e Dana Mello<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como citar: <\/strong>SOARES, Enzo. Reserva em Foco: uma experi\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o universit\u00e1ria em Diogo Lopes\/RN. Observat\u00f3rio do Audiovisual Potiguar, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BAPTISTA, Liana Lobo. Montaulas: cenas de educa\u00e7\u00e3o audiovisual com crian\u00e7as. Reposit\u00f3rio da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/repositorio.ufmg.br\/items\/d4d01a8a-0b6a-4b65-a9e2-1785104f1b36.<\/p>\n\n\n\n<p>BERGALA, Alain. A Hip\u00f3tese-Cinema: pequeno tratado de transmiss\u00e3o do cinema dentro e fora da escola. Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00f4nica Costa Netto, Silvia Pimenta. Rio de Janeiro: CINEAD\/UFRJ, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Lei n\u00ba 13.006, de 26 de junho de 2014. Bras\u00edlia, DF, 2014. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2011-2014\/2014\/Lei\/L13006.htm.<\/p>\n\n\n\n<p>FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necess\u00e1rios \u00e0 Pr\u00e1tica Educativa. 39\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>FRESQUET, Adriana Mabel. Cinema e Educa\u00e7\u00e3o: reflex\u00f5es e experi\u00eancias com professores e estudantes de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, dentro e \u201cfora\u201d da escola. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>HOOKS, bell. Ensinando a Transgredir: Educa\u00e7\u00e3o como Pr\u00e1tica da Liberdade. S\u00e3o Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>MIGLIORIN, Cezar; PIPANO, Isaac. Cinema de Brincar. Belo Horizonte, MG:<br>Relic\u00e1rio, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>MIGLIORIN, Cezar, et al. Cadernos de Inventar: cinema, educa\u00e7\u00e3o e direitos humanos. Niter\u00f3i RJ: EDG, 2016<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, Ant\u00f4nio Bispo dos. A terra d\u00e1, a terra quer. S\u00e3o Paulo: Ubu Editora, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, Boaventura de Souza. A Universidade no S\u00e9culo XXI: Para uma Reforma Democr\u00e1tica e Emancipat\u00f3ria da Universidade. 3\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, Elba Pereira dos. Pedagogia da escuta: A participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as no planejamento. Reposit\u00f3rio da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2012. Dispon\u00edvel em: https:\/\/repositorio.ufmg.br\/bitstream\/1843\/VRNS-9NKECC\/1\/pcc_final.pdf.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As crian\u00e7as s\u00e3o, por natureza, pequenas investigadoras do mundo. 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